O algoritmo está ali enquanto você rola o feed sem perceber. Um vídeo sobre “rotina de designer”, outro mostrando o dia a dia de quem trabalha com TI, mais um falando que determinada profissão “vai bombar em 2030”. Aos poucos, essas sugestões começam a parecer sinais do destino. Coincidência? Nem tanto. Hoje, a forma como a gente pensa o futuro profissional passa, e muito, pelo que as plataformas digitais decidem mostrar.
Aqui no HiCampi, a gente observa de perto como a vida universitária mudou. E não dá pra ignorar que a escolha de carreira, que antes vinha de conversas em família, testes vocacionais e experiências práticas, agora também nasce de likes, compartilhamentos e recomendações automáticas.
O que é o algoritmo e por que ele se mete na sua vida profissional?
De forma simples, o algoritmo é um sistema que analisa seu comportamento online para decidir o que aparece na sua tela. Ele observa o que você curte, comenta, assiste até o final e até o que você ignora. A partir disso, entrega mais conteúdos parecidos.
O ponto é que isso não se limita a entretenimento. Quando você começa a consumir vídeos, posts e relatos sobre determinadas profissões, o algoritmo entende que esse tema é relevante para você. Resultado: a bolha vai se fechando, e aquelas carreiras passam a parecer as únicas opções possíveis.
Quando o feed vira um “teste vocacional disfarçado”
Já reparou como, depois de assistir a um vídeo sobre uma profissão específica, surgem dezenas de conteúdos parecidos? De repente, todo mundo parece trabalhar com a mesma coisa, ganhar bem e amar o que faz.
Esse efeito cria a sensação de tendência absoluta. Para quem está na fase de decidir o curso ou repensar a carreira, isso pesa bastante. O algoritmo não mostra o caminho completo, só os recortes mais chamativos. As dificuldades, frustrações e rotinas menos glamourosas quase nunca aparecem.
Algoritmo e a romantização das profissões nas redes
Outro impacto direto é a romantização. Profissões complexas viram vídeos de 30 segundos com trilha sonora motivacional. A carreira parece leve, rápida e sempre recompensadora.
O problema não é se inspirar, mas decidir baseado apenas nisso. A vida real tem prazos, pressão, estudo constante e, muitas vezes, salários iniciais bem diferentes do que aparece no feed. O algoritmo prioriza o que engaja, não o que explica.
Por que algumas carreiras “explodem” do nada?
Você já deve ter visto profissões que, de um ano para o outro, viram febre. Marketing digital, programação, criação de conteúdo, UX, análise de dados. Muitas são áreas incríveis, mas o crescimento repentino também é empurrado pelo algoritmo.
Quando um tema começa a performar bem, as plataformas entregam mais. Criadores falam mais sobre isso. Cursos surgem aos montes. E a sensação coletiva é de que quem não entrar agora vai ficar para trás.
Tendência real ou só hype digital?
Nem toda carreira em alta no feed vai se manter no longo prazo. Algumas crescem rápido, mas exigem perfis específicos, estudo constante e adaptação. Outras são mais amplas do que parecem nos vídeos curtos.
Por isso, vale desconfiar quando todo mundo parece estar indo para o mesmo lugar ao mesmo tempo.

Algoritmo e o papel dos influenciadores nessa escolha
Influenciadores de carreira, estudo e produtividade têm um peso enorme hoje. Muitos ajudam de verdade, compartilham experiências reais e abrem horizontes. Outros, porém, mostram apenas a parte que vende bem.
O algoritmo favorece quem gera desejo rápido. Isso significa que conteúdos mais reflexivos, que mostram dúvidas e processos longos, acabam ficando escondidos. Para quem está decidindo o futuro, isso pode distorcer expectativas.
Algoritmo, personalidade e identidade profissional
Além das profissões “da moda”, o algoritmo também cruza interesses pessoais. Se você consome conteúdos sobre criatividade, ele entrega áreas mais artísticas. Se interage com vídeos sobre lógica e tecnologia, surgem carreiras técnicas.
Esse cruzamento pode ajudar, mas também limitar. Você passa a se ver apenas dentro daquele recorte, como se outras possibilidades não combinassem com quem você é.
Inclusive, esse movimento conversa com outras formas modernas de escolha profissional, como testes de personalidade e até astrologia. Já falamos sobre isso em outro conteúdo aqui do HiCampi, vale conferir aqui.
A universidade ainda tem voz nessa decisão?
Tem, e deveria ter ainda mais. O problema é que muitos estudantes chegam à universidade já com ideias muito fechadas, moldadas pelo algoritmo. Isso pode gerar frustração quando a realidade do curso não bate com o que era visto online.
A vivência universitária serve justamente para ampliar repertório, testar caminhos e descobrir interesses que o feed nunca mostraria. Projetos, matérias optativas, eventos e conversas fora da bolha digital fazem diferença.
Como usar o algoritmo a seu favor, sem deixar ele decidir tudo
A ideia não é demonizar a tecnologia. O algoritmo pode ser uma ferramenta poderosa se usado com consciência. Algumas atitudes ajudam:
Diversificar o que você consome, mesmo fora do que parece “combinar” com você
Buscar conteúdos mais longos, como entrevistas e relatos completos
Conversar com pessoas reais da área, não só com criadores de conteúdo
Usar a universidade como laboratório de possibilidades
Aqui no HiCampi, a gente acredita muito nesse equilíbrio. Inclusive, já falamos sobre como as redes sociais influenciam decisões profissionais e acadêmicas, vale a leitura para complementar essa reflexão.
A pressão silenciosa de “escolher cedo demais”
O algoritmo também reforça uma pressão constante: a de que todo mundo já sabe o que quer. Vídeos de gente jovem, bem-sucedida e “realizada” passam a impressão de atraso em quem ainda está testando caminhos.
Mas a construção de uma carreira raramente é linear. Mudar de ideia, errar e recomeçar faz parte. O feed não mostra isso porque não engaja tanto quanto histórias de sucesso rápido.
No fim das contas, quem decide?
O algoritmo influencia, sugere, empurra e até confunde. Mas ele não conhece suas vivências, seus limites e suas vontades reais. Ele trabalha com padrões, não com profundidade.
A escolha de carreira fica mais saudável quando a tecnologia vira apoio, não bússola principal. Questionar o que aparece no feed, buscar experiências reais e ouvir mais a si mesmo continua sendo essencial, mesmo em um mundo onde o algoritmo insiste em opinar.
