Universidade: o que você NÃO precisa comprar para estudar

Se você abrir qualquer rede social e pesquisar por conteúdos sobre universidade, existe uma boa chance de encontrar vídeos mostrando mesas impecáveis, estojos que parecem uma loja de papelaria ambulante e gadgets que custam mais do que a mensalidade de muita gente. Tudo isso embalado pela ideia de que, para ser produtivo e tirar boas notas, é preciso investir pesado em itens “indispensáveis”.

Só que existe uma diferença enorme entre o que é realmente útil e o que virou símbolo estético da vida acadêmica. Pegando carona na tendência do de-influencing, talvez seja hora de admitir: você não precisa gastar uma pequena fortuna para estudar bem.

E, sinceramente, essa pode ser uma das notícias mais libertadoras da sua trajetória universitária.

Coisas que você não precisa para estudar na universidade

O iPad Pro não é um requisito para passar na prova

Vamos começar pelo grande protagonista dos vídeos de rotina acadêmica: o tablet de última geração.

Sim, ele pode ser útil para algumas pessoas. Quem trabalha com ilustração, design ou prefere centralizar todos os materiais digitais em um único dispositivo pode se beneficiar bastante.

Mas a verdade é que milhares de estudantes concluem a universidade usando cadernos simples, notebooks básicos ou até mesmo folhas avulsas organizadas em pastas.

Ter um equipamento caro não garante concentração, disciplina ou compreensão do conteúdo. Afinal, o problema nunca foi a falta de uma caneta digital com rejeição de palma.

Você não precisa de 50 marca-textos

Existe algo quase mágico acontecendo nas redes sociais: quanto maior a coleção de marca-textos, maior parece ser a sensação de produtividade.

Na prática, porém, muitos estudantes acabam usando duas ou três cores durante todo o semestre.

Inclusive, o excesso de estímulos visuais pode dificultar a revisão dos conteúdos. Se tudo está destacado, nada realmente chama atenção.

Na universidade, o método mais eficiente é o que funciona para você

Algumas pessoas aprendem fazendo mapas mentais. Outras preferem resumos escritos. Há quem memorize melhor resolvendo exercícios.

O importante é entender que estudar não é uma competição de quem possui o material mais bonito.

Se o seu sistema envolve apenas uma caneta preta e um caderno, está tudo certo.

Garrafas térmicas de R$ 300 não hidratam melhor

A internet conseguiu transformar até o ato de beber água em uma experiência premium.

Existem garrafas lindas, resistentes e extremamente desejáveis. E, novamente, não há problema algum em comprar uma se isso fizer sentido para o seu orçamento.

O problema aparece quando surge a sensação de que você precisa daquele item específico para ter uma vida universitária organizada.

Spoiler: a água continua sendo água.

A garrafa promocional do evento da faculdade provavelmente cumprirá exatamente a mesma função.

Mochilas minimalistas de luxo são opcionais

Outro clássico da romantização universitária envolve bolsas e mochilas que parecem ter saído diretamente de uma campanha publicitária.

Ter uma mochila confortável e resistente é importante. Isso ninguém discute.

Agora, acreditar que você precisa investir centenas de reais para transportar um caderno, um carregador e um pacote de biscoitos é outra história.

Às vezes, a mochila que você já possui continua fazendo um excelente trabalho.

O “cantinho perfeito” para estudar pode esperar

Luzes decorativas. Mesa impecável. Organizadores transparentes. Plantinhas estrategicamente posicionadas.

Tudo muito bonito.

Mas a realidade é que nem todo mundo possui espaço, dinheiro ou tempo para montar um cenário digno de vídeo motivacional.

Muita gente estuda na biblioteca, na mesa da cozinha, no ônibus ou entre um compromisso e outro. E sabe o mais curioso? O aprendizado continua acontecendo.

Se você quer entender melhor como a própria internet tem transformado a rotina acadêmica em conteúdo, vale conferir nosso texto sobre a estética da vida universitária: por que estudar virou conteúdo nas redes.

O planner perfeito não vai organizar sua vida sozinho

Existe uma pequena armadilha escondida nos vídeos de produtividade: a ideia de que comprar um novo sistema de organização resolverá automaticamente todos os problemas.

Não resolve.

Planejamento é importante, claro. Mas disciplina, adaptação e consistência contam muito mais.

Se o calendário do celular funciona para você, ótimo.

Se uma agenda simples resolve, melhor ainda.

A ferramenta deve servir às suas necessidades, e não gerar mais ansiedade.

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Produtividade não vem em kits de papelaria. Às vezes, ela começa com o que você já tem na mochila. / Foto: Unsplash.

Nem todo curso exige materiais caros

Dependendo da graduação, alguns investimentos realmente serão necessários.

Cursos da área da saúde podem demandar jalecos e instrumentos específicos. Arquitetura pode exigir determinados materiais. Artes costuma envolver gastos próprios da área.

Mas existe uma diferença entre o que é solicitado oficialmente e aquilo que foi transformado em tendência nas redes sociais.

Antes de comprar qualquer coisa, converse com veteranos, professores e colegas. Muitas vezes, é possível economizar compartilhando materiais, comprando itens usados ou esperando as orientações do curso.

A produtividade não mora no carrinho de compras

Sobretudo, essa talvez seja a mensagem mais importante.

A sensação de que estamos sempre precisando de mais alguma coisa para começar pode se tornar uma forma sofisticada de procrastinação.

“Vou estudar melhor quando comprar aquele tablet.”, “vou me organizar quando tiver o planner ideal.” ou “vou render mais quando montar minha mesa dos sonhos.”

Enquanto isso, o semestre segue normalmente. Afinal, o conhecimento não espera pela próxima entrega do aplicativo.

Use o dinheiro economizado com sabedoria, na universidade e fora dela

Não estamos dizendo que você nunca deve comprar algo que deseja.

Se determinado item cabe no orçamento e realmente melhora sua rotina, tudo bem. Mas talvez seja interessante refletir sobre prioridades.

Isso porque o valor economizado pode virar uma saída com amigos, uma assinatura útil para os estudos, um curso complementar ou até mesmo uma pequena reserva para imprevistos.

Aliás, descansar também faz parte do processo de aprendizagem. Nós já conversamos sobre isso em nosso conteúdo sobre como dormir rápido para estudar melhor e a ciência do shuffle mental.

Universidade: menos pressão, mais realidade

Existe uma liberdade enorme em perceber que você não precisa reproduzir a vida universitária editada que aparece nas redes sociais.

A maior parte das pessoas está tentando equilibrar aulas, estágios, trabalhos, transporte público, boletos e algumas horas de sono no meio disso tudo.

E está tudo bem.

No fim das contas, a universidade não deveria ser uma corrida para descobrir quem possui os acessórios mais caros ou a mesa mais fotogênica. O que importa, de fato, é encontrar estratégias sustentáveis para estudar, aprender e aproveitar essa fase da vida sem transformar cada ida à papelaria em um evento financeiro de grande porte.

Se o seu caderno está meio amassado, a caneta foi emprestada pelo colega e a garrafinha já sobreviveu a três semestres, fique tranquilo: você continua na universidade assim como qualquer influenciador do TikTok.

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