Os universitários do futuro talvez não estejam apenas nas salas de aula imaginárias que a gente projeta para daqui a dez ou quinze anos. Eles já estão se organizando, protestando e levantando pautas agora mesmo — e, curiosamente, dentro de um jogo online. O protesto viral que tomou conta do Roblox, depois da retirada do chat, virou muito mais do que uma trend: virou um sinal claro de como as novas gerações se comunicam, se mobilizam e exigem mudanças.
E sim, tudo isso tem muito a ver com o que vamos ver nas universidades daqui a alguns anos.
O que aconteceu no Roblox e por que isso viralizou?
O Roblox anunciou a retirada do chat (incluindo o chat de voz) em determinadas experiências e modos de jogo, como parte de uma série de medidas para reforçar a segurança infantil. A decisão veio após debates intensos sobre exposição precoce, linguagem inadequada e situações que evidenciam a adultização de crianças em ambientes digitais.
A resposta? Um protesto coletivo, criativo e barulhento. Avatares se reuniram em massa, organizaram “manifestações virtuais” e inundaram as redes sociais com vídeos, prints e relatos indignados. O que poderia parecer só uma reação exagerada virou pauta de discussão fora do jogo.
E foi aí que tudo escalou.
A ligação com Felca e o debate sobre adultização infantil
Parte desse debate ganhou ainda mais força quando criadores de conteúdo começaram a falar sobre o tema. Entre eles, Felca, conhecido por abordar comportamentos digitais, cultura da internet e temas sensíveis envolvendo jovens e crianças.
O ponto central da discussão não era apenas o chat em si, mas o que ele simboliza: até que ponto crianças estão sendo expostas a dinâmicas, discursos e responsabilidades que não condizem com a idade? O Roblox, pressionado por esse debate, decidiu agir de forma mais rígida.
Só que as crianças — que já cresceram conectadas — não aceitaram a mudança em silêncio.
Protestar em jogo também é protestar?
Se antes protesto significava cartaz, rua e megafone, agora ele também pode acontecer em servidores, mapas virtuais e chats internos. As crianças usaram as ferramentas que tinham: seus avatares, seus espaços digitais e sua capacidade de se organizar coletivamente.
Isso revela algo importante: essas gerações entendem o ambiente digital como uma extensão da vida real. Logo, quando algo muda ali, a reação é tão legítima quanto seria fora da tela.
Para nós, aqui no HiCampi, esse movimento levanta uma pergunta inevitável: como esses comportamentos vão se refletir quando essas crianças se tornarem universitários?
Da infância conectada á realidade dos futuros universitários
As universidades já estão lidando com uma geração altamente digital, mas o que vem por aí promete ir além. Esse protesto mostra futuros estudantes que:
Questionam decisões institucionais
Se organizam em grupo rapidamente
Usam tecnologia como ferramenta política e social
Não aceitam mudanças sem explicação
É o mesmo perfil que vemos hoje em debates sobre saúde mental, inclusão, representatividade e novos modelos de ensino. Inclusive, esse comportamento dialoga muito com o que já discutimos sobre bem-estar e consciência coletiva entre jovens, como mostramos neste conteúdo sobre geração e saúde.

O papel das plataformas e a sensação de “não ser ouvido”
Outro ponto-chave do protesto no Roblox foi a sensação de decisão unilateral. A plataforma mudou regras importantes sem, na visão dos usuários, dialogar de forma clara com quem usa o espaço diariamente.
Essa frustração é muito parecida com o que vemos em ambientes acadêmicos quando estudantes sentem que mudanças são impostas sem escuta ativa. Não por acaso, cresce o interesse por iniciativas participativas dentro das universidades, como programas de representação estudantil e embaixadores.
Falando nisso, já exploramos como esses papéis funcionam na prática por aqui.
Quando o jogo vira sala de aula (ou quase isso)
O Roblox também reacende um debate maior: os ambientes virtuais como espaços de aprendizado, convivência e construção social. Para muita gente, pode parecer exagero, mas esses jogos já funcionam como verdadeiros laboratórios de interação humana.
Organização de eventos, criação de regras, conflitos, protestos, liderança… tudo isso acontece ali dentro. É por isso que cada vez mais se fala em metaverso e educação, inclusive no ensino superior.
Já imaginou uma sala de aula com lógica de jogo, interação em tempo real e construção coletiva? A gente já refletiu sobre isso neste conteúdo.
O chat era só a ponta do iceberg
Para muitas crianças, o chat não era apenas uma ferramenta de conversa, mas um espaço de pertencimento. Retirá-lo significou perder autonomia, voz e conexão. O protesto, portanto, não foi só sobre digitar mensagens, mas sobre ser visto e ouvido.
Essa noção de pertencimento é algo que acompanha os estudantes até a universidade — e impacta diretamente engajamento, participação em projetos e até permanência no curso.
Adultização, proteção e limites digitais
Ao mesmo tempo, o debate levantado por Felca e outros criadores não pode ser ignorado. A internet, muitas vezes, acelera processos que deveriam ser mais lentos. Encontrar o equilíbrio entre proteção e liberdade é um desafio que plataformas, famílias e instituições educacionais ainda estão aprendendo a lidar.
E adivinha quem vai continuar puxando essa discussão no futuro? Exatamente: os próprios jovens.
O que esse protesto ensina para quem pensa educação e, consequentemente, aos universitários?
Se tem algo que esse episódio deixa claro é que não dá mais para subestimar a capacidade crítica das novas gerações. Mesmo crianças já demonstram consciência coletiva, argumentação e senso de justiça.
Quando chegarem ao ensino superior, esses futuros universitários vão esperar diálogo, transparência e participação ativa. Ignorar isso não é só um erro estratégico, é perder conexão com quem realmente constrói a universidade no dia a dia.
Universitários: o protesto virtual como sinal do amanhã para os
No fim das contas, o protesto das crianças no roblox não é só uma curiosidade da internet. Ele funciona como um espelho do que vem pela frente. Mostra jovens que sabem se mobilizar, que questionam decisões e que entendem o digital como espaço legítimo de convivência e expressão.
Para nós, que acompanhamos de perto a vida acadêmica, fica o alerta: os próximos universitários não vão aceitar estruturas engessadas sem conversa. Eles já estão aprendendo, desde cedo, que até no jogo dá para levantar a voz.
